O trigo está em muitos alimentos que nos trazem boas lembranças: no cheiro do pão que acabou de sair do forno, no cheirinho do bolo que lembra a casa da vovó, na macarronada em família, no panettone de Natal e em muitas outras receitas.
O
trigo é conhecido por ser o mais nobre de todos os cereais devido
sua extraordinária capacidade em dar origem a vários derivados que
ocupam uma posição importante em nossa cadeia alimentar como:
massas alimentícias, massas de pão, bolos, biscoitos e vários
outros produtos.
O
trigo divide-se em duas formas básicas: a botânica e a comercial.
A
botânica define o trigo segundo as suas características biológicas,
onde é mundialmente padronizada.
A
comercial varia de país para país devido aos seus hábitos, cultura e
necessidade de consumo.
FARINHA
DE TRIGO (TRITICUM
AESTIVUM E TRITICUM DURUM) NO
BRASIL
E NA ITÁLIA:
CLASSIFICAÇÃO
DAS FARINHAS DE TRIGO NO BRASIL E NA ITÁLIA
O
grão de trigo é dividido em 3 partes: o farelo
(parte
externa, rica em fibras), o endosperma
(camada
intermediária, rica em proteínas) e o gérmen
(miolo;
camada interna, rica em gorduras e vitaminas).
A
classificação dos tipos de farinha varia de país para país,
podendo mudar não apenas o nome do tipo, mas também o modo de
produção da farinha. No Brasil,
a classificação da farinha considera a moagem e o beneficiamento do
trigo, envolvendo a quantidade de casca misturada à farinha,
indo da menor proporção até a farinha integral. Na Itália, as
farinhas são classificadas pelo teor de glúten.
Classificação
da farinha de trigo na Itália:
Do
processamento (moagem) do trigo
mole (grano
tenero /Triticum aestivum)
obtém-se a chamada farinha branca que pode ser de diferentes tipos,
dependendo do grau de refinação:
Farinha
integral
Farinha
2
Farinha
de trigo 1
Farinha
de tipo 0
Tipo
de farinha de 00
O
grano
tenero
(Triticum
aestivum),
também conhecido pelo nome frumento
comune
é caracterizado por grãos quebradiços e dentro possuem uma camada
branca e farinhenta. A partir de trigo mole obtém-se a farinha para
produção de massas frescas, gnocchi,
pão, pizzas, bolos e doces.
Da
moagem da sêmola de trigo duro (grano
duro /Triticum durum)
obtém-se:
Farinha
de sêmola integral
Farinha
de sêmola
Farinha
de sêmola rimacinata
Sendo
a diferença entre eles a quantidade de cinzas (partículas da
casca), granulometria da moagem e teor de proteínas.
A
partir de trigo duro não é possível obter a chamada farinha
“branca”.
Tabela - Denominação do produto na Itália.
Tabela - Denominação do produto na Itália.
A sêmola tem a característica de ser mais “amarelada”, pela presença de carotenóides, e possui um granulado, semelhante a uma areia fina.
O
grano
duro
(Triticum
durum)
é uma farinha muito rica em glúten (junção de duas proteínas:
gliadina e glutenina).
É
uma espécie diferente de trigo, cultivados principalmente no Sul da
Itália, a partir do qual é obtido uma moagem granulada de cor
âmbar, conhecido pelo nome de sêmola,
que é utilizado principalmente para a produção de massa seca.
Moendo a sêmola uma segunda vez, obtemos a Semola
Rimacinada,
que é usada para a produção de pão caseiro, típico das regiões
do sul e também na produção de macarrão.
Como
vimos, na Itália, além da utilização da espécie T.
aestivum existe também o utiliza-se
do trigo da espécie T.
Durum.
Na
Itália, as farinhas são analisadas e classificadas de modo a dar ao
consumidor uma maior clareza quanto ao resultado final do produto. E
isso é regulamento por lei, a qual estabelece as características e
eventuais denominações
das farinhas Italianas. (Decreto del Presidente della Repubblican.187 del 9 febbraio 2001).
No
Brasil não temos oficialmente essas classificações e praticamente
toda a farinha de trigo que usamos é resultado da moagem do trigo
comum, da espécie T.
aestivum.
A
instrução normativa nº 8, de 2 de Junho de 2005 do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em seu “Regulamento
técnico de identidade e qualidade da farinha de trigo” determina
o conceito de Farinha de trigo e farinha integral:
“Farinha de Trigo: produto elaborado com grãos de trigo (Triticum aestivum L.) ou outras espécies de trigo do gênero Triticum , ou combinações por meio de trituração ou moagem e outras tecnologias ou processos.”
“Farinha de Trigo Integral: produto elaborado com grãos de trigo (Triticum aestivum L.) ou outras espécies de trigo do gênero Triticum , ou combinações por meio de trituração ou moagem e outras tecnologias ou processos a partir do processamento completo do grão limpo,contendo ou não o gérmen.”
O
Regulamento não se aplica às Farinhas elaboradas com grãos de
trigo da espécie Triticum durum.
No
Brasil, chamamos de sêmola ou semolina, o resultado da moagem
incompleta de cereais.
Ela
possui textura granulada, geralmente mais grossa que a farinha
obtida da moagem de grãos
duros,
sendo a parte nobre do trigo,
do milho
ou
do arroz.
E quando a farinha de trigo for empregada na produção de massas
alimentícias, será permitido o uso da designação “de sêmola”
ou “de semolina” quando a matéria prima empregada atender às
especificações contidas
na
Tabela 1 do Regulamento Técnico para a Farinha de Trigo do Tipo
1. Ministério da Agricultura (INnº8 2005).
Para
o produto obtido, exclusivamente, a partir de sêmola/semolina de
trigo podem ser utilizadas as expressões “de sêmola” ou “de
semolina”.
Para o produto obtido, exclusivamente, a partir de sêmola/semolina de trigo durum, podem ser utilizadas as expressões “de sêmola de trigo durum” ou “de semolina de trigo durum”.
As
fábricas brasileiras (setor industrial) que produzem sêmola/semolina
de trigo durum
utilizam matéria prima (setor primário) de grãos de trigo duro
(Triticum
durum)
importadas.
A
semolina do trigo duro (Triticum durum) não é cultivada no Brasil,
em decorrência da qualidade do solo e do clima que dificultam o seu
cultivo. Por isso, optou-se pelo cultivo da farinha do trigo da
espécie
Triticum
Aestivum
para
ser utilizada como matéria-prima principal na fabricação de
macarrão. Segundo o Instituto Agronômico (IAC), “o trigo cultivado no Brasil pertence à espécie Triticum aestivum L. e apresenta três genomas: A, B e D, cada um deles representado por sete pares de cromossomos. Os fatores genéticos responsáveis pela qualidade de panificação localizam-se nos cromossomos do genoma D. O trigo duro (Triticum durum L.), chamado de “trigo para macarrão”,tem somente os genomas A e B, não apresentando, portanto, qualidade para panificação."
Sendo
o trigo da espécie Triticum
Aestivum
muito menos resistente e menos rico em proteínas em relação à
espécie Triticum durum, a indústria brasileira optou por
acrescentar às massas a albumina
(proteína
encontrada no ovo de galinha) para que a a massa tenha os
nutrientes, cor e elasticidade, encontrados nas massas à base de
semolina do trigo duro (Triticum durum).
Para
fixar a identidade e qualidade de massa alimentícia ou macarrão, a
Resolução - RDC nº 14, de 21 de fevereiro de 2000, definiu “Sêmola
ou semolina de trigo” e “Sêmola ou semolina de trigo durum” da
seguinte maneira:
Sêmola
ou semolina de trigo:
é o produto obtido a partir da espécie Triticum aestivum ou de
outras espécies do gênero Triticum reconhecidas (exceto Triticum
durum), através de processo de moagem do grão de trigo beneficiado,
com teor de cinzas de, no máximo, 0,65% na base seca.
Sêmola ou semolina de trigo durum: é o produto obtido a partir de Triticum durum Desf., através do processo de moagem do grão beneficiado, com teor de cinzas de, no máximo, 0,92% na base seca.
Sêmola ou semolina de trigo durum: é o produto obtido a partir de Triticum durum Desf., através do processo de moagem do grão beneficiado, com teor de cinzas de, no máximo, 0,92% na base seca.
Classificação
da farinha de trigo no Brasil:
No
Brasil, o Ministério da Agricultura (IN nº 8 2005)
classifica a farinha de trigo em 3 tipos: Tipo 1, Tipo 2 e Integral.
Elas devem possui um teor mínimo de proteína de 7,5% para Tipo 1 e
8,0% para Tipo 2 e Integral.
A
farinha de trigo é classificada de acordo com as suas
características, em:
Farinha
Especial ou Tipo 1 – farinha feita a partir do miolo do trigo, com
um mínimo do farelo da casca, produto obtido a partir do cereal
limpo, desgerminado, com uma extração máxima de 20% e com teor
máximo de cinzas de 0,385%
Farinha
comum – farinha feita a partir do miolo do trigo, com uma
porcentagem um pouco maior de farelo da casca misturada, produto
obtido a partir do cereal limpo, desgerminado, com uma extração
máxima de 78% ou com extração de 58%, após a separação dos 20%
correspondentes à farinha de primeira. O teor máximo de cinzas é
de 0,850%. A farinha de trigo comum, por determinação do Governo
Federal, para fins de panificação, pode ser adicionada de farinhas
de outras origens.
Farinha
integral – farinha feita a partir da moagem do grão inteiro,
produto obtido a partir do cereal limpo com uma extração máxima de
95% e com teor máximo de cinza de 1,750%
Regulamento
técnico de identidade e qualidade da farinha no Brasil:
O
Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO)
elaborou um regulamento técnico com as diretrizes e índices para
padronizar as características de identidade e qualidade da farinha
de trigo no Brasil.
O
documento diferencia a farinha em grupo doméstico e grupo
industrial. No caso do grupo doméstico, ela distingue ainda as
farinhas em tipo 1, 2 e integral. Além disso, normatiza os limites
do teor máximo de cinzas, teor de proteína, umidade, dentre outros.
Veja o conteúdo completo aqui.
Na Itália, a legislação não permite o uso de aditivos e colorantes nas farinhas de trigo Triticum
Aestivum e Triticum durum.
No Brasil, a legislação permite o uso de Aditivos Alimentares (substâncias autorizadas pelo Ministério da Saúde que são adicionadas à Farinha de Trigo e que têm por objetivo ajustar e padronizar a qualidade funcional da farinha para determinado fim ou, ainda, para melhorar as características do produto final).
No Brasil, a legislação permite o uso de Aditivos Alimentares (substâncias autorizadas pelo Ministério da Saúde que são adicionadas à Farinha de Trigo e que têm por objetivo ajustar e padronizar a qualidade funcional da farinha para determinado fim ou, ainda, para melhorar as características do produto final).
A força da farinha:
Para escolher melhor a farinha, os italianos levam em conta o fator W e o P/L (dados técnicos) da farinha. O fator "W" é o valor da força da farinha, o "P/L", que determina o equilíbrio entre resistência e elasticidade.
O
P/L de uma farinha equilibrada varia de 0,5-0,6 acima disso,
corresponde a uma farinha dura/resistente, e abaixo disso, a uma
farinha mais fraca/extensível.
A
força de uma farinha é medida por testes mecânicos na massa,
testes de extensibilidade e teste de resistência, e é indicado em
(W).
O
W (força) vai de 130 que é uma farinha muito fraca, até 440 que é
uma farinha muito forte.
Uma
farinha classificada como forte, além de ser rica em glúten,
absorve elevadas percentuais de líquido e retém mais dióxido de
carbono. A massa é elástica resiste à ruptura e particularmente
resistente a fermentação graças à rede de glúten mais sólido.
Seu uso é recomendado para receitas que requerem longa fermentação,
uma vez que impede que a massa perca o crescimento. O resultado final
terá um miolo macio e alveolado.
O
Glúten é a proteína presente no grão de trigo. O glúten é o
responsável por fazer com que a massa fica elástica, capaz de
formas “bolsas” que vão armazenar o gás gerado pelo fermento,
fazendo com que o pão cresça e fique com aquelas buraquinhos
característicos. Também é o responsável por manter a forma do pão
durante o seu crescimento e faz o produto final ficar macio ou duro.
Então, de forma geral, sabemos que quanto mais glúten a farinha
tiver, melhor será sua qualidade para a produção de pães.
Uma
farinha fraca, pelo contrário, tem uma capacidade de absorção de
líquido inferior, forma uma massa de glúten mais reduzida e,
durante a fermentação, retém menos dióxido de carbono. Por isso,
é aconselhável usá-lo em receitas que exigem produtos de volume
pequenos como biscoitos, bolachas, grissini.
O
"W" (a força) da farinha e exemplos de como usá-las:
até
170W (farinha fraca – possuem capacidade de absorção igual a
cerca de 50% do seu peso em água): ideal para biscoitos, waffles,
grissini,
doce friável;
180W
a 260W (farinha de força media – absorvem cerca de 55% -65% do seu
peso em água): ideal para pão, pizza, massas;
280W
para 350W (farinha forte – absorvem cerca de 65% -75% do seu peso
em água): ideal para pizza, massas, babà,
brioches, com fermentação longa (panettone, pandoro)
Mais
de 350W (farinhas especiais - absorvem até 90% do seu peso em água):
normalmente são produzidas com grãos especiais, norte-americanos,
canadenses (um das mais conhecidas é a Manitoba).
São usadas para fortalecer a farinha fraca ou para produzir pães
especiais.
A
maioria das embalagens indicam o melhor uso para cada farinha.
Assim,
de acordo com os dados técnicos da farinha e as indicações de uso
contidas nas embalagens, o consumidor italiano escolhe a farinha mais indicada para o tipo de receita que deseja preparar.
Infelizmente,
este valor é raramente indicado nas embalagens de farinha produzidas
no Brasil. Mas alguns fabricantes já indicam o uso nas embalagens.
Dica para comprar a farinha no Brasil:
Dica para comprar a farinha no Brasil:
De olho nos rótulos!
Se você busca uma farinha forte (grande quantidade de proteínas) para sua receita, minha dica é observar as informações nutricionais nos rótulos do produto, onde informa a porcentagem de proteínas na farinha. Divida a quantidade de proteínas da tabela pela porção analisada. Por exemplo, uma farinha que, na tabela nutricional encontramos 5,0 g de proteínas em 50 g de farinha. Dividindo 5,0 por 50 chegamos a 0,1 que, multiplicado por 100 resulta em 10%. Geralmente as farinhas brasileiras possuem entre 7 e 14% de proteínas.
Se você busca uma farinha forte (grande quantidade de proteínas) para sua receita, minha dica é observar as informações nutricionais nos rótulos do produto, onde informa a porcentagem de proteínas na farinha. Divida a quantidade de proteínas da tabela pela porção analisada. Por exemplo, uma farinha que, na tabela nutricional encontramos 5,0 g de proteínas em 50 g de farinha. Dividindo 5,0 por 50 chegamos a 0,1 que, multiplicado por 100 resulta em 10%. Geralmente as farinhas brasileiras possuem entre 7 e 14% de proteínas.
Farinha fraca: ideal para biscoitos, waffles, grissini, doce friável;
Farinha de força media: ideal para pão, pizza, massas;
Farinha forte: ideal para pizza, massas, babà, brioches, com fermentação longa (panettone, pandoro)
Farinha de força media: ideal para pão, pizza, massas;
Farinha forte: ideal para pizza, massas, babà, brioches, com fermentação longa (panettone, pandoro)









5 comentários:
Gostei muito!
NO tópico DE OLHO NOS ROTULOS das farinhas brasileiras, não ficou claro o que é farinha fraca e farinha forte de acordo com a quantidade de proteínas....
Porque colocam muito glúten nas sabendo que faz mal principalmente para as articulações e causa inflamação no corpo
Gostei muito das informaçoes
Realmente, a quantidade de glúten e a qualidade do trigo que consumimos, causa muitos estragos em nosso organismo especialmente processo inflamatório, segundo Dr. Lair Ribeiro, Dr. Dayan e Dr. Meneslau. É duvida que também tenho: porque o elevado teor de glúten nos farináceos?
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